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Mostrando postagens de Janeiro, 2018

AFFAIR VIRTUOSO

Cada um na sua webcam. No começo, uma gracinha aqui e outra ali. Não demorou muito, amantes remotos.



- Bota o cachecol... bota o cachecol que eu enlouqueço logo de uma vez!

- Só se você colocar antes um gorro de lã. Mas tem que ser tipo capuz de bandido, daqueles que só ficam os olhos descobertos. 

- Tá, mas depois você promete que veste um casaco? Sobretudo é meu fetiche, sabia? Já te falei isso? Então. Quero três casacões bem grossos e felpudos, um em cima do outro, até você ficar curvado de tanto peso, sem poder mexer os braços e sem nenhum poro do corpo descoberto! Ui, só de pensar eu fico doidinha, doidinha. Megaexcitante!!!

- Mas como você é safada, heim?

- Então, aí você faz uma dança sensual em frente à câmera e aos poucos, bem devagarinho, vai abotoando os casacos no ritmo da música, até ficar tudo bem fechadinho até o pescoço.

- Ai, mas e se alguém resolve entrar aqui no quarto e me pega assim, vestidão - do jeito que não vim ao mundo? O que que eu vou dizer? Imagina a situação, v…

CACHORRO ENGARRAFADO

"O uísque é o melhor amigo do homem. É o cachorro engarrafado"
Vinícius de Moraes

Ele chegou filhotinho, uma coisinha de nada, só 200ml de suave fofura e inocência. No rótulo se lia "12 years old", mas, para um exemplar daquele pedigree, doze anos era só o começo de uma longa e proveitosa vida. 

E como foi saboreada a vida que me deu, enquanto durou. Não exigia nada em troca e não dava trabalho nenhum. Não pegava pulga, nem carrapato, banho não carecia, nem latir ele latia. Manso como só ele, deixava-se ficar ali na estante, entre livros e porta-retratos. 

A intimidade e o zelo foram se achegando aos poucos, em goles discretos. Sabia o momento do seu reinado a cada fim de tarde, à hora certa e boa. Era quando trocávamos colos. Eu lhe dava o meu e ele me dava o dele. Sem gelo, reconfortante e amigo. Cicatrizante de mágoas e refazedor de ânimos, punha-me a alma pulando doida feito um cãozinho dançante de circo. Em sua irracionalidade, parecia conhecer a magia do seu cara…

NATAL CELULAR

"Bando de DNA amarga mais um Natal na cadeia", estampava a manchete dos principais jornais no dia 25 de dezembro. 
O menor, de alta periculosidade e conhecido no submundo do tráfico pelas iniciais DNA, comemorou as festas com uma palavra de ânimo aos seus comparsas: "Não é porque o DNA está na cadeia que o nosso Natal vai ser triste. Vamos lá, sorriam, sorriam, mesmo que seja atrás das grades. Pensem em visita íntima, broa de fubá com serrinha dentro, golpe do sequestro falso, crédito de celular aos montes. Pensem alguma coisa assim, bem bacana, e abram aquela risada gostosa para a nossa foto natalina anual".

Prosseguiu o famoso meliante, depois de umas três ou quatro taças de espumante de discutível qualidade:

"Mas espera aí, está todo mundo muito alinhadinho, assim fica falso e sem graça. Talvez umas serpentinas em cima e outras embaixo, envolvendo o pessoal, uma coisa mais festiva! Quero os grupos bem animados, como se fossem uns blocos de carnaval. Aliás, o c…